Estabilidade indica 2008 positivo para mercado de valores mobiliários
A economia brasileira vem apresentando um cenário favorável, tendo como destaques o comportamento do PIB, que registrou crescimento de 5,2% até o terceiro trimestre de 2007 comparado aos 12 meses anteriores, a expansão da oferta de crédito e a ampliação dos prazos de financiamentos, além do bom desempenho dos investimentos domésticos. Nesse quadro, o principal desafio para 2008 será, ao que parece, o de conciliar os bons indicadores relacionados ao nível de atividade com o risco de um reaquecimento inflacionário. O IGP-M fechou o ano em 7,75%, maior taxa desde 2004, e o IPCA acumulou 3,6% até novembro, com previsão de fechamento anual de 4,3%.
Em aparente dissintonia com o comportamento da economia, o mercado de debêntures encerrou 2007 com volume de emissões abaixo do verificado no ano anterior, interrompendo a curva ascendente verificada desde 2003. O total das emissões de debêntures aprovadas pela CVM, em 2007, foi de aproximadamente R$ 48 bilhões, contra R$ 73,5 bilhões em 2006. A queda tem como principal explicação um comportamento menos agressivo das empresas de leasing, cuja captação foi de R$ 33 bilhões, ante R$ 49 bilhões em 2006. Apesar do recuo do volume, o número de emissões manteve-se constante: 44 em 2007, contra 47 em 2006.
Em 2007, as debêntures foram utilizadas fundamentalmente para financiar despesas de curto prazo das empresas ou melhorar seus respectivos perfis de endividamento. Tal fato ficou evidente nas destinações dos recursos das emissões, destacando-se: capital de giro (64%); alongamento do endividamento (23%); investimento (4%); e resgate de debêntures de outra emissão (4%). De modo geral, as operações de resgate foram motivadas pela redução da remuneração proposta para as emissões. As taxas dos papéis atrelados à Taxa DI, por exemplo, registraram queda, com a sobretaxa máxima passando de 3% para 2,35% ao ano (detalhes na tabela abaixo).
Quanto às negociações no mercado secundário, o SND registrou em 2007 volume de R$ 27 bilhões, superior em 85% ao observado no ano anterior. O volume médio diário negociado aumentou de R$ 59,3 milhões em 2006 para R$ 110,5 milhões, em parte devido ao crescimento do estoque disponível dos ativos registrados no sistema, que passou de R$ 155 bilhões para R$ 209 bilhões, na mesma comparação. Neste total, predominam os ativos remunerados pela Taxa DI (cerca de 92%), seguidos pelos atrelados aos índices de preços (5%) e indexados ao dólar (2%).
A perspectiva de um ambiente econômico interno estável, com previsão de continuidade do crescimento do PIB acima dos 4% ao ano, e os anúncios de investimentos pelo setor privado permitem acreditar que o ano de 2008 será positivo para o mercado de valores mobiliários doméstico, especialmente para os segmentos de debêntures e ações.