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A indústria de fundos de investimentos apresentou captação líquida positiva de R$ 4,83 bilhões em junho, totalizando R$ 39,1 bilhões no ano. A informação consta do último relatório divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), ontem.
"A rentabilidade líquida dos fundos de renda fixa e DI superou a performance de remuneração da poupança", explicou o superintendente de Renda Fixa do Itaú Unibanco, Ronaldo Patah.
O superintendente calculou o ponto de equilíbrio entre os fundos e a poupança que modifica essa equação.
"O ponto de equilíbrio é 0,7% ao mês. A maioria dos fundos superou esse patamar. Se a Selic for a 11,75% ao ano, o rendimento nominal do DI será 0,93% ao mês", projetou Patah, sobre a perspectiva de alta da taxa básica de juros (Selic).
De acordo com relatório diário da ANBIMA, os fundos de renda fixa que mais captaram no mês superaram esse ponto de equilíbrio. Os fundos de renda fixa de médio e alto risco tiveram retorno médio mensal de 0,88%, com captação positiva de R$ 765,3 milhões no mês passado.
"Quando a Bolsa tem meses negativos como maio e junho, há uma canalização de recursos para a renda fixa", argumenta Patah.
Os fundos de renda fixa tiveram rentabilidade média de 0,9% em junho, com captação de R$ 124,84 bilhões, e os referenciados DI com remuneração de 0,81% captaram expressivos R$ 444,87 milhões.
Outro segmento que apresentou boa performance no período foi o de multimercados. Os fundos da categoria multimercados juros e moedas registraram em junho captação positiva de R$ 2 bilhões, com rentabilidade média de 0,76% ao mês, mas ainda apresentam saída líquida no ano de R$ 5,11 bilhões.
"Não posso afirmar, mas provavelmente houve alguma operação isolada. Essa carteira trabalha com remuneração que combina juros e câmbio", diz Patah.
Os fundos multimercados macro também tiveram captação expressiva de R$ 610,67 milhões, com remuneração média de 0,93% em junho.
"É um posicionamento de investidores que estão saindo da Bolsa", comentou o superintendente do Itaú Unibanco.
De fato, os fundos de ações foram os mais afetados no período.Na categoria Ibovespa Ativo a perda foi de -4,5%, e o Ibovespa Indexado registrou recuo de -3,45%. Os fundos vinculados ao IBrX perderam -4,64% na categoria ativa e -5,02% na indexada.
Os prejuízos também foram sentidos nos fundos de índices setoriais. O setorial de telecomunicações perdeu em média -2,64% e os fundos setoriais de energia apontaram recuo médio de -3,88%. A exceção na área de renda variável foram os fundos de ações small que registraram ganhos médios de 3,72% em junho.
O investidor que aportou recursos próprios em Vale e Petrobras decidiu manter o dinheiro na carteira mesmo com os prejuízos de -12,69% na Vale e de -9,17% em Petrobras. A retirada líquida de fundos Petrobras com recursos próprios foi de R$ 1,74 milhão, frente uma saída no ano de R$ 216,46 milhões da carteira.
Nos fundos com recursos próprios da Vale, a saída líquida atingiu R$ 24,5 milhões, aumentando a retirada no semestre para R$ 470,44 milhões.
Os fundos de ações indexados ao PIB também registraram perdas de -5,56% em junho. Nessa categoria, os investidores retiraram R$ 89,25 milhões da carteira, realizando a saída líquida de R$ 289,38 milhões no ano.
Os fundos de previdência permaneceram entre os que continuam sólidos na captação de recursos. Os fundos de previdência renda fixa registraram captação positiva de R$ 1,07 bilhão, somando-se ao total de R$ 18,88 bilhões aportados no semestre.
A previdência renda fixa garantiu ganhos médios de 0,84% ao mês e 4,68% ao longo do ano.
Poupança
De acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira, a poupança registrou captação líquida de R$ 4,178 bilhões no mês de junho. Foi este o segundo melhor mês de junho da série histórica iniciada em 1994, só superado por junho de 2002. |
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