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As emissões de debêntures impulsionaram as captações domésticas de recursos durante o primeiro semestre deste ano. Segundo dados da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), as emissões feitas no país somaram R$ 49,2 bilhões no ano até junho, volume 54,6% superior àquele levantado no mesmo período de 2009. Desse total, só em debêntures foram R$ 20,5 bilhões, um crescimento de 129% em relação aos primeiros seis meses de 2009. Outros R$ 7,5 bilhões vieram de notas promissórias, títulos de dívida com prazo de vencimento mais curto, de no máximo um ano.
Boa parte do crescimento que houve nas operações de debêntures neste ano se deve, na verdade, a uma safra mais magra de ofertas realizadas no primeiro semestre do ano passado ainda como um resquício da crise financeira internacional. Até junho de 2009, por exemplo, só cinco ofertas públicas de debêntures tinham sido realizadas. Agora, neste ano, muitas operações que tinham ficado engavetadas em 2009 foram finalmente oferecidas aos investidores.
O maior destaque até junho de 2010, de acordo com o levantamento da ANBIMA, ficou por conta das ofertas públicas com esforços restritos, modalidade na qual a operação sofre menos exigências regulatórias ao mesmo tempo em que só pode ser oferecida a um número limitado de investidores qualificados.
Todas as emissões de notas promissórias foram feitas nesses moldes. Nas debêntures, elas corresponderam a 50% das colocações. Só nesta semana três operações de esforços restritos foram anunciadas. São elas: Minerva (R$ 200 milhões), PDG Realty (R$ 300 milhões) e Duke Energy (R$ 500 milhões), todas para refinanciamento de suas dívidas.
Entretanto, é importante ressaltar que muitas ofertas de esforços restritos acabam sendo compradas pelos próprios bancos, funcionando mais como uma operação de crédito, que fica no balanço das instituições, do que como um movimento do mercado de capitais, inflando os números das captações. De acordo com um executivo de um banco, o ritmo de emissões deve seguir em alta até o fim do ano, porém, os investidores estão pouco receptivos a emissões de prazos superiores a três anos. Os FIDCs (fundos de direitos creditórios) também mostraram crescimento no semestre, com um total de R$ 4,6 bilhões, valor 47% superior ao registrado no mesmo período de 2009.
Do lado das operações de renda variável também houve crescimento, apesar de diversas operações terem sido adiadas ao longo do último semestre, como International Meal Company (IMC) e M. Dias Branco. O volume levantado passou de R$ 11,3 bilhões para R$ 14,3 bilhões, mostram os dados da ANBIMA. Esses números ainda não contabilizam a oferta bilionária de ações do Banco do Brasil, concluída neste mês.
O maior volume - R$ 11,3 bilhões - veio de emissões primárias, aquelas em que são emitidas novas ações e os recursos entram no caixa da companhia. O restante veio de ofertas secundárias. |
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