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Relatório da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) divulgado ontem mostra que houve queda de 45,4% no volume de debêntures negociadas nos seis primeiros meses do ano, excluindo os títulos de empresas de leasing. O total das transações desse mercado no primeiro semestre de 2010 foi de R$ 6,33 bilhões, contra R$ 11,59 bilhões em igual período de 2009.
Com isso, os bancos de investimento no País estão ficando com quase metade das debêntures que eles mesmos levam ao mercado. Uma das explicações seria a retração da demanda causada pela crise européia. Os coordenadores dos R$ 17 bilhões em debêntures vendidas este ano ficaram com R$ 7,8 bilhões dessas emissões, ou 44% do total, contra 41 % no ano passado. É a maior fatia desde que a Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais começou a coletar os dados em 2006.
"As negociações no mercado secundário de títulos privilegiados em especial: o de debêntures, não vem acompanhando o movimento crescente de emissões primárias", diz o relatório da Anbima, que acrescenta. "Ainda há muito a ser feito para aumentar a base de investidores. Nesse sentido, dentre outras iniciativas, reforça-se a necessidade de revisão da tributação voltada para o segmento".
O fenômeno ocorre, segundo analistas, porque os investidores estão exigindo títulos corporativos com altas taxas de retorno e prazo máximo de três anos depois que os cortes das c1assificações de crédito na Grécia e em Portugal levaram a um aumento de preocupações com a recuperação econômica global, disse Lauro Augusto Campos, superintendente de análise de crédito da Sul América Investimentos, que administra US$ 9 bilhões. Muitas empresas estão tentando vender dívida com prazo de até sete anos, de acordo com Campos. "Os investidores estão pedindo mais rendimento e prazo curto," disse ele. "Se os investidores não estão interessados, os bancos têm de manter na própria carteira." A maioria das debêntures vendidas no País oferece rendimento atrelado à taxa de depósito interfinanceiro da taxa encerrou a segunda-feira em 10,14%, que é inferior à Selic, atualmente em 10,25%.
Campos disse preferir debêntures que vencem em quatro anos ou menos. Ele comprou papéis de seis anos que a Bandeirante Energia, distribuidora com sede em São Paulo, vendeu na semana passada porque o rendimento de 1,5% acima do DI era atraente. JUROS. Com os operadores do mercado futuro prevendo que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vá elevar a meta da Selic para pelo menos 12% até o fim do ano, o rendimento nas notas da Bandeirante subiria para cerca de 13,5%. Isso se compara a um rendimento de 11,3% nos títulos pré-fixados do governo com vencimento em janeiro e 12,25% nos papéis pré-fixados com prazo até janeiro de 2014.
O prazo médio das debêntures subiu de quatro anos em 2009 para cerca de cinco anos no primeiro semestre de 2010, de acordo com a Anbima.
Os bancos estão dispostos a embolsar as debêntures nos seus livros porque os papéis são atraentes e mais fáceis de negociar que empréstimos, disse João de Biase, chefe de mercado de capitais para dívida do Itaú Unibanco. O Itaú comprou algumas das debêntures que levou a mercado este ano. "O mercado de capitais não está indo além de três, quatro ou cinco anos para créditos AAA," disse Biase. "Para preencher esta lacuna, os bancos estão concedendo mais empréstimos para as grandes empresas." |
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