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Apesar da captação do setor de fundos de investimento no mês, com ingresso de R$ 3,591 bilhões até o dia 9, os multimercados continuam perdendo recursos. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), a categoria apresenta resgates líquidos de R$ 1,897 bilhão neste início de mês, sendo R$ 1,215 bilhão só na semana passada. No acumulado do ano, enquanto o setor como um todo registra entradas de R$ 45,510 bilhões, os multimercados captam módicos R$ 714,44 milhões no período até o dia 9.
Os mais afetados são os multimercados classificados como multiestratégia, com saídas líquidas de R$ 1,453 bilhão no mês. Essas carteiras podem adotar mais de uma tática de investimento. No ano, no entanto, a classe de fundos está no azul, com captação de R$ 2,979 bilhões até o dia 9.
A dispersão de retornos entre os multimercados é bastante grande, diz Otávio Vieira, diretor de investimentos da Safdié Gestão de Patrimônio. "Enquanto há fundos com perda de 10% no ano, outros ganham 18%", afirma ele, destacando a necessidade de o investidor avaliar atentamente o gestor. "Agora, o mercado deve continuar sem tendência definida, o que deixa a vida do gestor muito mais difícil."
Os números da ANBIMA mostram essa diferença entre os multimercados. Na semana passada, por exemplo, os fundos que adotam a estratégia macro de gestão - que procuram ganhar com as tendências dos ativos, seja de alta ou de baixa - tiveram rentabilidade média de 0,20%. Já aqueles classificados como estratégia específica - que fazem investimentos que impliquem em riscos bem definidos, como commodities e futuro de índice - renderam 0,02% no período.
Se os multimercados vêm sofrendo para captar no mês, os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs, ou fundos de recebíveis) apresentam ingressos. De acordo com a ANBIMA, R$ 2,089 bilhões entraram nessas carteiras em julho, até o dia 9. Os FIDCs são voltados somente para investidores qualificados, com pelo menos R$ 300 mil para aplicar.
O interesse dos investidores por fundos multimercados diminuiu, admite Ivan Guetta, gestor de renda variável da GAP Asset Management. "Hoje, a maior procura é por fundos de ações ou de crédito estruturado", diz, referindo-se às carteiras ligadas ao setor imobiliário e FIDCs. Por isso, as atenções dos gestores se voltam para os investidores institucionais. "Com a autorização para os fundos de pensão aplicarem até 4% da carteira em multimercados, o valor destinado ao segmento vai aumentar no longo prazo", diz Guetta.
Os fundos de ações captam R$ 108,41 milhões no mês e R$ 2,793 bilhões no ano até o dia 9. Na semana passada, entretanto, houve resgates de R$ 12,42 milhões. "A bolsa pode até subir no curto prazo se os testes de estresse dos bancos lá fora mostrarem resultados bons", diz Vieira, da Safdié. "Mas no médio e longo prazos, o mercado acionário deve ficar sem tendência, dadas as dúvidas com o crescimento da economia mundial." |
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