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Odebrecht capta a IPCA mais 9,57% 22/07/2010

Para financiar o pagamento ao governo paulista do direito de concessão do corredor Dom Pedro, um conjunto de estradas no interior de São Paulo, a Odebrecht pagará aos compradores de debêntures com emissão concluída ontem uma remuneração equivalente à variação da inflação medida pelo IPCA mais 9,57% ao ano até 2022.

Apesar de apresentarem um custo muito superior a linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de imediato a captação, que alcançou R$ 1,1 bilhão, permitirá à Rota das Bandeiras, concessionária do grupo Odebrecht, uma leve redução no custo de financiamento do projeto. Isso porque, quando ganhou a concessão, a companhia pegou um empréstimo ponte mais caro em maio de 2009, com duração de um ano e meio, com um conjunto de cinco bancos: Santander, Banco do Brasil, HSBC, Banco do Nordeste e Votorantim. A taxas de hoje, esse financiamento custa 15,92% ao ano, enquanto as debêntures saíram ontem a 14,87%.

Essa emissão de debêntures, coordenada por Santander e BB, porém, não custeará completamente o projeto da Rota das Bandeiras, já que, além de quitar o direito de concessão, a companhia precisará investir R$ 1,6 bilhão nos próximos cinco anos. Para colocar o projeto em pé, a Odebrecht utilizou uma mistura de capital próprio, financiamentos subsidiados e emissão de debêntures.

As obras de infraestrutura - melhoria e duplicação de alguns trechos -, por exemplo, serão tocadas com um empréstimo de R$ 920 milhões do BNDES, o que corresponderá a quase 60% do total necessário às obras. O custo do financiamento não foi divulgado.

A expectativa é que mais e mais projetos de infraestrutura sejam tocadas com o auxílio dos investidores do mercado de capitais. No caso desse especificamente, o principal empurrão veio dos fundos de pensão, que usualmente compram papéis com remuneração atrelada à inflação, taxa que casa com a variação dos seus passivos, a aposentadoria ao beneficiários.

Além disso, como possuem uma maior previsibilidade de resgate de seus pensionistas, as fundações também compram debêntures com vencimentos mais longos. Fundos de investimento preferem prazos mais curtos. Apenas Petrobras e Vale já emitiram títulos domésticos com prazo igual ou superior aos papéis da Rota das Bandeiras. Neste ano, por exemplo, a operadora de telefonia Oi testou uma emissão com vencimento em dez anos, mas o apetite dos investidores foi reduzido.

"A expectativa é que novas operações seguindo esse modelo venham porque existe apetite por parte dos fundos de pensão para papéis com longo prazo e alta previsibilidade de receita", diz o gestor de uma fundação que comprou os papéis da concessionária de rodovias.

Entretanto, a demanda dos fundos de pensão não foi a única. O Valor apurou que as tesourarias de alguns bancos, como Itaú e Bradesco, também compraram as debêntures da Rota das Bandeiras, atraídas pela rentabilidade e pela alta nota de crédito, de "Aa2.br", atribuída pela agência de classificação de risco Moody's. Na semana passada, um leilão de Notas do Tesouro Nacional da série B (NTN-B) com vencimento em 2020 determinou a rentabilidade dos papéis em IPCA mais 6,5% ao ano.

Procurada pela reportagem para comentar a operação, a assessoria de imprensa da Rota das Bandeiras informou que não localizou nenhum porta-voz até o fechamento desta edição.

De olho no crescimento da demanda por financiamento para a infraestrutura, diversos fundos de investimento já estão sendo preparados no Brasil para dar suporte ao setor. A Vinci Partners, por exemplo, está levantando um fundo de R$ 2 bilhões para atuar como uma alternativa de financiamento para o setor, comprando papéis de dívida das empresas.

Imprimir o conteúdo Visualizar impressão Fonte: Valor Econômico - Carolina Mandl
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