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A somatória das emissões realizadas no primeiro semestre deste ano comprova que o mercado de capitais brasileiro está recuperado da pior crise financeira mundial, com desempenho considerado habitual e ativo, tanto em operações de ações, quanto operações de dívidas. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA). No período, foram totalizadas R$ 14,4 bilhões em emissões de ações, aumento de 26,9% sobre igual período de 2009.
"Os números indicam que o mercado deve continuar aquecido no segundo semestre, podendo contribuir para a formação importante de ' funding ' (investimento) para as empresas", afirma o coordenador do subcomitê de ranking doméstico da entidade, Eduardo Prado. No total de emissões computadas, R$ 11,3 bilhões advêm dos 12 IPOs (Oferta Pública Inicial) realizados no período. As emissões de títulos de renda fixa somaram R$ 34,8 bilhões, com crescimento de 70% sobre 2009, enquanto as colocações de debêntures somaram R$ 20,6 bilhões, com expansão de 129% frente ao resultado do mesmo semestre em 2009.
Embora a atuação esteja aceitável, as empresas não contam com um céu de brigadeiro para captar recursos, como ocorria até a crise de 2008. Uma parcela significativa delas está fora do mercado por excesso de burocracia ou falta de preparo, incluindo pequenas e médias empresas em franco crescimento. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) quer reverter esse quadro e está tornando as alternativas mais acessíveis e seus registros mais ágeis. Na instrução (IN) 476, por exemplo, pode-se fazer oferta pública para investidores qualificados (restrito ao máximo de 50) sem ter apreciação da instituição. Outra medida foi permitir que até companhias fechadas pudessem emitir, também, para o investidor qualificado.
"Era uma demanda reprimida do mercado. Assim, torna quaisquer emissões mais rápidas, facilitando também a participação de fundos de private equity. Não significa que a CVM não exigirá as boas condutas e o cumprimento de regras, mas verificamos que o período necessário para nossa análise acabava alongando uma emissão, muitas vezes destinada a apenas um investidor", afirma o superintendente de registro de CVM, Felipe Claret.
Outra preocupação da CVM é a qualidade e a relevância das informações. Por isso, o novo formulário requer não apenas informações quantitativas, mas também qualitativas. A maior transparência deve facilitar a precificação no mercado secundário. Um exemplo é a exposição a derivativos. A obrigação de abrir as políticas internas deve provocar uma melhoria da governança corporativa no Brasil.
Para estimular novos lançamentos, a BM&FBovespa (BVMF) iniciou um trabalho para aumentar a visibilidade e a opção de captação de empresas de diversos portes. Esse esforço também mira empresas de capital fechado e empreendedores estreando suas aspirações. A ideia da BVMF participar do negócio desde o início, com reforços para a gestão empresarial e organizacional para que esse empreendedor prepare sua empresa para chegar a algum momento ao mercado de capitais.
Uma das etapas do projeto é a imersão de 45 empresários para conhecer o passo a passo da BVMF, com conteúdo prático e realista, e apresentação das vantagens e benefícios do mercado de capitais. Há uma mentoria especial nesse processo, no qual um executivo de companhia aberta que já passou por todas as etapas de captação aborda sua experiência. "É comum em outros países os empreendedores começarem suas operações já vislumbrando uma saída com IPO no longo prazo. E tornar possível a busca por captação conforme o seu momento estrutural, inclusive o da admissão da participação de um fundo de private equit '", explica a diretora de relações com a empresa da BVMF, Cristiana Pereira. |
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